Revista ABRAFIL - Pag. 44 (2022) - Filho

NA ONDA DO PRECONCEITO
Francisco da Cunha e Silva Filho

RESUMO

Este artigo se ocupa do que se poderia denominar “preconceito gramatical”. Trata-se de um brevíssimo ensaio nos estudos de língua portuguesa. Seu fulcro se situa no campo dos usos da língua nos seus diferentes registros: coloquial, normativo, i.e., na escrita e no discurso. O tema me chamou a atenção após leitura de um artigo publicado, em 2011 no jornal O Globo. A minha reação ao artigo se deu diante da afirmação feita por um dos autores do livro didático de título. Por uma vida melhor, cujas cópias eram para ser distribuídas pelo Ministério da Educação. De acordo com o ponto de vista da autora, frases gramaticalmente incorretas, proferidas por alunos e usuários geralmente oriundos de famílias iletradas ou analfabetas funcionais, tais como “Posso falar os livro; Nós pega o peixe etc, etc, etc, (grifos meus), no que diz respeito ao uso do vernáculo, deveriam ser acolhidas pelos professores. Este artigo é uma tentativa de mostrar um ponto de vista contrário diante do tema em discussão.

PALAVRAS-CHAVE

Preconceito linguístico; livro didático; linguística escrita; discurso oral; usos da língua portuguesa; registros;

SUMMARY

This article deals with what might be called “grammatical bias” : a very brief paper in Portuguese language studies . Its main focus is on the polemical theme in the field of language usages in their different registers: colloquial, normative usages, i.e., both in writing and in speech. The theme has drawn my attention to upon reading an article published in 2011 in the newspaper O Globo. My reaction to the article concerns a declaration given by one of the authors of the textbook entitled Por uma vida melhor (For a better life), copies of which ” were to be distributed by the Ministry of Public Instruction (MEC, in the Portuguese acronym). According to her viewpoint, incorret or uneducated spoken sentences usages such as: “Posso falar os livro; Nós pega o peixe, etc. etc etc, (boldfaces are mine) as regards usage, should be accepted mother tongue utterances on the part of students or users generally coming from illiterate or functional illiterate families with a poor social and cultural background. This paper tries to follow a diferent linguistic view of facing the theme hereto developed.

KEY-WORDS

Linguistic bias; textbook; linguistic; writing speech; Portuguese language usages; registers.

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DOI: https://doi.org/10.53527/2763-7301.2020.n00018
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e-ISSN: 2763-7301 | ISSN: 1676-1545